13.5.05

Aprenda com o seu dia-a-dia

Hoje ocorreu um fato interessante.
Estava voltando do trabalhando. Eram 7 horas da noite de uma sexta feira. O 464 estava como sempre: uma meia dúzia de gatos pingados, confortavelmente acomodados, alguns até tirando seu cochilo.
Havia pouco tempo desde que eu tinha entrado no ônibus. Quando estávamos chegando perto da Praça da Bandeira (pego o ônibus na Presidente Vargas, em frente à prefeitura) uma moça se levanta e aproxima-se do trocador. A distância, parecia à todos no ônibus, que a moça pedia informações sobre a localização de algum lugar.
O trocador, um senhor com traços nordestinos, largo bigode, com aproximadamente 45 anos, explicava pacientemente como chegar lá. Havia certa dificuldade na comunicação. Esse trocador certamente era uma pessoa de baixa formação, mas no final das contas parecia que a moça não teria muitos problemas para chegar ao seu destino.
Porém, enquanto o trocador tentava se fazer entendido, o motorista do ônibus teve que dar uma freada muito brusca. Nesse momento a moça foi jogada contra a roleta do ônibus. A rotação foi o suficiente para que a roleta, na sua volta ao ponto correto, contabilizasse mais uma passagem.
Ao mesmo tempo, um senhor que estava sentado na parte da frente do ônibus, antes da roleta, levantou-se. Acabou sendo lançado para frente também com a freada brusca. Porém, apoiado, não sofreu nenhuma conseqüência mais grave.
Mas o trocador ficou realmente preocupado, afinal, quem pagaria aquela passagem? Entre argumentações da moça e do trocador, o senhor agora em pé em frente à roleta, resolveu apoiar a moça e tentar argumentar com o trocador.
Esse senhor, aparentando seus 65 anos e, também tinha características que caracterizavam baixa formação.
Obviamente ninguém mais se arriscou a participar daquela confusão, pois os dois já estavam exaltados o suficiente.
A mulher, já preocupada em saltar, resolveu pagar e ir embora.
Os dois homens ofendiam-se cada vez mais até que o derradeiro “vamos resolver lá fora” foi dito.
Para sorte de todos, o ônibus chegou ao ponto e o senhor precisou saltar. Apesar do trocador ter pego sua bolsa como quem pega algum tipo de arma, nada mais sério aconteceu. O senhorainda deu a última cartada. Ao descer, contornou o ônibus e deu um soco no vidro na altura em que o trocador se sentada. Esse último esboçou uma atitude para responder, mas não o fez.
Alguns riam, como se não entendessem como duas pessoas podiam se agredir por algo tão banal. Outros já não agüentavam mais escutar os gritos e lamúrias. O trocador ainda ficou por uns bons 5 minutos resmungando, discutindo com ele mesmo, como se procurasse uma explicação para a sua atitude ou alguma forma de culpar seu já antigo oponente.
Foi nesse momento que toda a situação se tornou interessante para mim.
Notei, com menosprezo, o comportamento do trocador, consumido de raiva por toda aquela discussão. Minutos depois, ainda se enfurecia com o comportamento do senhor e incomodava a todos com isso.
Porém, acabei sendo interrompido pela minha empatia. Pelo meu velho costume em tentar entender o comportamento dos outros. Em tentar encontrar um argumento qualquer que mostre, de alguma forma, que eu não tenho nenhum direito de condená-lo. Afinal, acredito fortemente no valor da liberdade de pensamento e comportamento, respeitando o limite do próximo. Não quero, nem espero, que ninguém seja igual a ninguém, apenas que não façamos mal uns aos outros (seria sonho??).
Assim, finalmente fui capaz de interromper aquele meu comportamento que tanto detesto. Fiquei pensando em que situação eu reagiria daquela maneira. O que poderia acontecer comigo que me tiraria do sério, a ponto de perder o controle sobre meus pensamentos, sobre o que estava falando. Quando que eu gostaria de explodir...
Compreendi que qualquer um passa por isso. Qualquer pessoa, independente do seu grau de instrução, pode ser levada ao descontrole quando desafiada no ponto certo. Às vezes, nem precisa ser no ponto certo. Tantas coisas já estavam incomodando, que a última acaba sendo apenas a necessária para liberar aquele comportamento.
Enfim, em alguns poucos minutos descobri uma excelente forma de sofrer menos. A idéia, tantas vezes repetida, é “esquece, bola pra frente, não vale a pena...”. Mas foi preciso um instante de sanidade para poder me projetar em alguma outra situação e a tornar a idéia algo mais. Torná-la em atitude.

Ah, seu trocador, lembre-se que eu entendo seu comportamento e não deixarei de respeitar sua profissão por causa desse único evento. Mas lembre-se também que eu espero que você perceba que aquela não foi a forma correta de agir. Agora, deixa isso tudo pra lá, esquece e bola pra frente!

3.5.05

Desculpas

Nada que eu diga ou faça me eximem da responsabilidade do que disse antes nesse blog. Por isso mesmo tenho o dever e a responsabilidade de pedir desculpas.
Desculpas.
Mas não estou pedindo desculpas pelo dever. Peço porque realmente me sinto mal pelo que disse e pensei. Eu realmente sinto muito por ter pensado tantas coisas negativas quando algumas pessoas estavam cuidando de mim.
Fui egoísta, mal-agradecido e me fiz de vítima. Agi errado com pessoas que eu não deveria ter agido assim. Nunca.
Posso estar me fazendo de vítima novamente, mas eu queria muito que esse pedido de desculpas fosse compreendido, ou pelo menos aceito, porque vocês querem ficar bem comigo. Queria que não existisse a sensação "ele não esta fazendo nada mais que a obrigação". Sim, quero, por um instante, me sentir vítima.
Faz parte de mim, admito, estou tentando mudar. Quero sempre que as pessoas reconheçam e valorizem o que faço por elas. Queria que elas lembrassem disso ao invés de esperar que eu faça ainda mais. Porém, se quero isso, estou sendo ambíguo. Porque aí quem está esperando mais dedicação ainda sou eu. E aí eu ferro tudo...
Outra questão que eu gostaria de esclarecer é para que serve esse blog pelo meu ponto de vista. Não o escrevo na intenção de falar mal-criações para os leitores. Eu sempre o utilizei como uma forma de extravasar o que estava sentindo e pensando. Com sinceridade e num momento único: aquele em que estou escrevendo. Assim como toda pessoa eu tenho inseguranças (muitas por sinal) que se refletem no que penso sobre os outros. Mas raramente se transformam em atitude porque, passado um tempo, percebo que boa parte era muita viagem. E essas questões eu sempre tento deixar muito claras. Se não ficou, tento novamente. Eu realmente sinto muito por ter magoado alguém. Eu só queria que as pessoas mais próximas (obrigado grandes amigos que frequentam o blog) me ouvissem. Que alguém visse o que estava sentindo, que me sentia muito, muito sozinho. Que mesmo com tantas pessoas próximas pensando em mim, eu não podia me abrir com ninguém. Que me sentia vítima, mas não podia me sentir assim. Que me sentia dependente e isso me incomodava, mas eu não podia ficar incomodado. Eu me senti muito sozinho, triste, decepcionado, arrependido mas não podia dizer para ninguém. Ninguém iria querer escutar isso, quiça entender.
Enfim, me perdoem por magoá-los quando tudo que vocês fizeram foi tentar zelar por mim. Novamente, acredito que esse texto não justifique nada do que fiz, mas tenho a ponta de esperança de que as pessoas magoadas comigo percebam que fraquejo muitas vezes e espero delas a força para levantar.
Será mais uma noite de sono trsite, esperando compreensão, me sentindo vítima. Um pequeno alívio saber que me procuraram para que as coisas que se ajeitassem.
Finalizo pedindo novamente desculpas, esperando que eu seja compreendido com minhas fraquezas, mas que seja mais forte todo o sentimento bom que já tiveram por mim pelo que tenho de bom.