23.4.05

Dicas para uma viagem tranquila

Nos últimos seis meses acredito ter adquirido boa experiência em viagens. Na realidade num tipo específico de viagem. Aquele tipo de viagem que todo mundo acha uma maravilha. Aquela viagem que você vai para visitar amigos ou parentes ou participar de eventos especiais e acaba aproveitando e conhecendo o lugar. As pessoas costumam achar esse tipo de viagem interessante porque pensam que vão se divertir com as pessoas que tanto gostam e vão gastar muito pouco, afinal ficarão na casa dessas pessoas queridas.
Quer saber? Minha primeira dica é: foda-se o quanto vai gastar. Meu pai estava certíssimo.
Segunda dica: se você já acatou a primeira, então pense seriamente em alugar um carro. Compre um mapa e na pior das hipóteses pague ao taxista para ele te indicar o caminho se você não estiver com saco de perguntar.
Terceira dica: supondo que você já acatou as duas primeiras, vá para um hotel. De preferência por um bem próximo do lugar onde estão as pessoas que você conhece ou dos lugares que você pretende visitar. Não se preocupe com floreios, o interessante estará fora do hotel mesmo. Mas tenha o mínimo: tranquilidade para entrar e sair, além de boa cama e banho.
Quarta dica: supondo que você acatou a s três primeiras, fique no local apenas o tempo necessário. Não vá com a expectativa de aproveitar mais do que o que já estiver planejado. Uma idéia seria que, caso a viagem esteja boa, então adie a sua volta. Não chegue antes.
Agora, tenho que lembrar (como sempre faço) que essa é a minha percepção das coisas e que sei que há opiniões diferentes e que posso estar errado. mas o que me incomoda quando essas condições não são satisfeitas é a prisão em que você fica. Dependendo das pessoas.
Mas acho que não tenho nada contra depender das pessoas. Na realidade isso é até bom muitas vezes porque se tem a sensação de união, assim como tenho quando saio com meus amigos no carro deles na minha cidade.
O que me incomoda é incomodar os outros. É sentir as pessoas fazendo as coisas para me agradar quando elas mesmas estão desconfortáveis com a idéia que elas mesmo propuseram. Me incomoda perceber que as pessoas sentem uma espécie de pena porque você não tem a liberdade para fazer as coisas, porque você não conhece nada. O que me incomoda é ver as pessoas com seus problemas e você estar atrapalhando, sobrando nesses problemas. Me incomoda ver as pessoas de mau-humor, indispostas a melhorar seu humor não querendo conversar com vocÇe e você ser obrigado a viver aquilo. Não tenho nada contra o mau-humor e a consequente vontade de ficar sozinho. Eu fico assim várias vezes. O foda é eu não poder nem deixá-la sozinha para curtir a sua fossa porque, merda, eu dependo dela.
Por fim, o que me incomoda mais é o arrependimento. Não meu, mas das pessoas que se ofereceram para te acolher. Como se você e a pessoa que elas conheceram não fossem a mesma pessoa. Obviamente não vai ser. Você já se reprime por estar num ambiente diferente. Além disso, odeia perceber nas pessoas a desaprovação constante das suas atitudes completamente loucas para aquele lugar. Você acaba não sendo permitido ser você. E tudo fica ainda pior porque você tem que ficar ali, pensando nisso tudo.
Mas aí eu me acalmo quando lembro como sou. Eu viajo nas coisas que os outros estão sentindo, então sei que 90% de todas essas sensações que tenho com certeza são exageradas, se não errôneas. Principalmente quando lembro dos momentos bons que ocorrem nessas viagens. Nos largos sorrisos que as pessoas dão quando te reecontram, nas conversas discontraídas, nas piadas, nas ótimas refeições, nos belos lugares visitados, nas belas fotos. Ah! Dica zero: tenha sua própria câmera. Mesmo que seja descartável. Sentir as pessoas economizando foto com você é muito ruim (lembre-se que você leva uma câmera para tirar fotos para você). Mas voltando a vaca fria... a viagem em vários momentos será maravihosa e no final das contas vai marcar positivamente a sua vida.
Mas eu acho que as viagens desse gênero seriam muito melhores se eu conseguisse cumprir as dicas que dei agora. Porque na pior das hipósteses você estará dono da sua fossa.

6.4.05

Não durma na aula

Assisto a uma aula de algoritmos e estrutura de dados. Só que dessa vez não estou dormindo. Pelo contrário, participo. Isso depois de escutar, com raiva, o professor falar hipocrisias sobre o seu método de avaliação. Sobre o quanto se deve estudar para entender o que ele não faz a mínima idéia, sobre sua benevolência e sobre seus critérios sempre justos. Tudo mentira. Eu já vi. Lembro também que participo da aula mesmo depois de classificá-lo como mais um daqueles professores que iniciaram a profissão de educador pela incompetência como um profissional de mercado (suponha que já definimos o que é isso).
Esse tipo é ainda pior. Acredita ser responsável pela formação de profissionais capacitados a atuar no mercado de acordo com as regras de mercado. Regras que ele julgou existir e entender. Regras de uma experiência limitada, tanto quanto ao tempo quanto a abrangência.
Questiono-me sobre a ética dessas pessoas. Esse questionamento é resultado da minha avaliação sobre capacidade dele para ensinar. Acho que ele não ensina nada. Ora, se não sabe fazer, não faça. Mas se ele não foi absorvido pelo mercado e não sabe dar aula, o que devo esperar? Que ele morra de fome?
Claro que não. Espero que ele se capacite para fazer o que quer fazer, recebendo pelo que sabe e pela sua contribuição à sociedade. Além disso, espero que ele esteja disposto a assumir sua condição imperfeita, de falta de preparo, de necessidade de constante melhoria e que perceba que ainda que faça isso, nunca será o melhor. Pode até chegar a ser, mas que não pense assim.
Espero que não se esconda atrás de diplomas, atrás de seu poder para avaliar os os alunos. Espero que admita que um aluno saiba mais sobe algo, principalmente sobre a relação aluno e professor. Lembre que o aluno está ali para o professor, mas o professor também está para ele.

Se espero que ele esteja lá para me dar aula, então eu devo ter a atitude responsável de assitir e aprender. A responsabilidade dele é ensinar e a minha é aprender.
Por isso, dessa vez, eu assisto a aula. Porque se espero que ele seja humilde e admita que possa aprender com o aluno, seria total hipocrisia minha julgar que não aprenderei nada na aula dele.
Nota mental: não desafie o professor sobre o que ele está certo de que está certo. No final das contas ele vai se esconder atrás de provas e diplomas.
ps.: Espero que a analogia entre os personagens tenha sido de fácil compreensão. O professor pode ser qualquer pessoa que tenha mais poder que você (chefe, pai, avô, alguém mais forte, etc). E lembre-se que um dia você pode ser o professor na vida de alguém.