6.4.05

Não durma na aula

Assisto a uma aula de algoritmos e estrutura de dados. Só que dessa vez não estou dormindo. Pelo contrário, participo. Isso depois de escutar, com raiva, o professor falar hipocrisias sobre o seu método de avaliação. Sobre o quanto se deve estudar para entender o que ele não faz a mínima idéia, sobre sua benevolência e sobre seus critérios sempre justos. Tudo mentira. Eu já vi. Lembro também que participo da aula mesmo depois de classificá-lo como mais um daqueles professores que iniciaram a profissão de educador pela incompetência como um profissional de mercado (suponha que já definimos o que é isso).
Esse tipo é ainda pior. Acredita ser responsável pela formação de profissionais capacitados a atuar no mercado de acordo com as regras de mercado. Regras que ele julgou existir e entender. Regras de uma experiência limitada, tanto quanto ao tempo quanto a abrangência.
Questiono-me sobre a ética dessas pessoas. Esse questionamento é resultado da minha avaliação sobre capacidade dele para ensinar. Acho que ele não ensina nada. Ora, se não sabe fazer, não faça. Mas se ele não foi absorvido pelo mercado e não sabe dar aula, o que devo esperar? Que ele morra de fome?
Claro que não. Espero que ele se capacite para fazer o que quer fazer, recebendo pelo que sabe e pela sua contribuição à sociedade. Além disso, espero que ele esteja disposto a assumir sua condição imperfeita, de falta de preparo, de necessidade de constante melhoria e que perceba que ainda que faça isso, nunca será o melhor. Pode até chegar a ser, mas que não pense assim.
Espero que não se esconda atrás de diplomas, atrás de seu poder para avaliar os os alunos. Espero que admita que um aluno saiba mais sobe algo, principalmente sobre a relação aluno e professor. Lembre que o aluno está ali para o professor, mas o professor também está para ele.

Se espero que ele esteja lá para me dar aula, então eu devo ter a atitude responsável de assitir e aprender. A responsabilidade dele é ensinar e a minha é aprender.
Por isso, dessa vez, eu assisto a aula. Porque se espero que ele seja humilde e admita que possa aprender com o aluno, seria total hipocrisia minha julgar que não aprenderei nada na aula dele.
Nota mental: não desafie o professor sobre o que ele está certo de que está certo. No final das contas ele vai se esconder atrás de provas e diplomas.
ps.: Espero que a analogia entre os personagens tenha sido de fácil compreensão. O professor pode ser qualquer pessoa que tenha mais poder que você (chefe, pai, avô, alguém mais forte, etc). E lembre-se que um dia você pode ser o professor na vida de alguém.

1 Comments:

At 10:01, Blogger Fillipe said...

Sempre fui mais disposto ao laissez-faire... se acho q não estou aprendendo simplesmente saio de sala, ou fico escrevendo e desenhando, mas nunca atrapalho a aula dos outros e não admito que tentem me obrigar a prestar atenção ou fazer algo quando não quero. Eu não me meto com o professor, desde q ele não se meta comigo.

 

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